Saint Maud (2019) – o isolamento e a religião em uma mente decadente

Se você pensa que já viu todas as combinações possíveis de religião e terror psicológico, Saint Maud (2019), estreia de Rose Glass, prova que a mente humana ainda guarda mistérios capazes de perturbar e fascinar. Mergulhando na psique de Maud, uma jovem enfermeira obcecada por salvar a alma de sua paciente Amanda, o filme explora solidão, fanatismo e decadência mental com uma estética cuidadosa e uma tensão crescente que vai muito além do susto fácil. Entre sombras, orações e delírios, Glass cria um suspense que desafia nossa percepção da fé e da moral, oferecendo uma experiência visual e sonora que incomoda e hipnotiza.

Um gay falando de um gay dentro de uma narrativa assassina: o dia que Ryan Murphy foi longe demais

Ryan Murphy foi longe demais. O queridinho de Hollywood, que já transformou o drama adolescente em hino gay e o terror em espetáculo pop, agora brinca perigosamente com os limites da representação — e do bom senso. Em sua nova empreitada, o mesmo criador que nos deu Glee e American Horror Story decide misturar a história de um assassino sádico com a de um ator gay reprimido, confundindo monstruosidade com sexualidade. O resultado? Um delírio audiovisual que beira o insulto — e revela o abismo entre genialidade e irresponsabilidade artística.

Doente de Mim Mesma: o adoecimento causado pelo excesso de exposição às redes sociais

O filme Sick of Myself (Doente de Mim Mesma), do norueguês Kristoffer Borgli, transforma a obsessão por visibilidade em uma sátira ácida sobre o narcisismo contemporâneo. Misturando comédia, drama e terror, o longa escancara até onde alguém pode ir para ser visto — e como o culto à imagem, nas redes e fora delas, pode se tornar uma forma silenciosa de adoecimento.

Clacso Cine 2025: cinema latino-americano em diálogo com memória, resistência e identidade

O Clacso Cine – Festival de Artes y Cultura Audiovisual 2025, realizado durante a X Conferência Latino-americana e Caribenha de Ciências Sociais em Bogotá, apresentou filmes que dialogam com memória, identidade, resistência e democracia na América Latina. A mostra reuniu documentários que abordam lutas de povos indígenas, trabalhadoras domésticas, comunidades periféricas e vítimas de ditaduras. O festival reafirmou o papel do cinema como ferramenta crítica e de produção de conhecimento social e cultural.

O outro em nós é o estranho

A câmera acompanha pés que parecem desejar caminhos próprios, surge em cena a imagem de um rosto estranho virado para uma cidade reluzente. O roteiro do filme Monster (2023) conduz o espectador a planos diferentes, em que cada personagem traz uma nova perspectiva.