ADULTO/HOMEM (2026) – FALHAMOS COM OS ATORES

Em Adulto/Homem (2026), acompanhamos, em um único plano-sequência, uma fila de audição para um papel nunca revelado. A câmera percorre rostos, silêncios, ensaios e confidências de atores que esperam por uma chance, enquanto expõem suas trajetórias, frustrações e a urgência de continuar existindo pela arte. Adulto/Homem transforma uma simples audição em um espelho doloroso da precarização da arte e da humanidade perdida no sistema que explora sonhos.

REPARAÇÃO (2026) – ENTERRADO VIVO E ENFERRUJADO

Entre fragmentos de memória, ferrugem e luto, Reparação constrói um retrato sensível da deterioração dos corpos, da cidade e dos afetos. Misturando autobiografia e ficção, o filme acompanha Marcus em seu enfrentamento com a perda dos pais, a herança simbólica da dor e a tentativa incessante de restaurar aquilo que o tempo, a maresia e a morte insistem em corroer. Em imagens em preto e branco, a obra transforma o desgaste em linguagem e a ruína em possibilidade de escuta.

A NOITE E OS DIAS DE MIGUEL BURNIER (2026) – MENTE VAZIA É OFICINA DA GERDAU

A Noite e os Dias de Miguel Burnier observa o cotidiano rarefeito de uma cidade mineira quase apagada pela mineração. Entre casas abandonadas, memórias fragmentadas e gestos mínimos de convivência, o documentário revela vidas suspensas num presente sem futuro, onde o capital ocupa o horizonte, substitui a fé e transforma a riqueza natural em ruína social.

A HOLANDESINHA (2026) – CINEMA É SONHO QUE SE SONHA JUNTO

A Holandesinha é um documentário em metalinguagem que acompanha o processo criativo e humano de Luiza Godoi na realização de seu curta-metragem. Entre pré-produção, gravações e decisões de set, o filme constrói um retrato íntimo do amadurecimento de uma jovem diretora, revelando o cinema como prática coletiva, espaço de afeto e exercício constante de adaptação, escuta e sonho compartilhado.

FUTURO FUTURO (2025) – A IA SONHA O ÚLTIMO SONHO DA HUMANIDADE

Vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília de 2025, o longa Futuro Futuro (2025) utiliza os códigos da ficção científica para construir uma crítica ao capitalismo contemporâneo, explorando um futuro em que a IA não apenas substitui o trabalho, mas passa a colonizar os sonhos, as memórias e as possibilidades de transformação social.

O DESEJO QUE NUNCA FOI NOSSO: PASOLINI, POLANSKI E KUBRICK SOB O OLHAR DE LACAN

Partindo da psicanálise lacaniana e da ideia de que o cinema não entrega o desejo, mas ensina a desejar, Ian nos presenteia com esse texto que analisa Teorema, Lua de Fel e De Olhos Bem Fechados como variações de uma mesma inquietação: a descoberta de que aquilo que chamamos de desejo nunca se origina em nós, mas é despertado, moldado ou imposto pela presença, pela palavra ou pela confissão do Outro.

OUTROS ABRIGOS: A PERIFERIA TÁ ACIMA DO MUNDO

O lar fragmentado pela vulnerabilidade social encontram, nos afetos e nas redes de apoio, novas formas de pertencimento e esperança. Entre memórias, desafios e sonhos, o documentário Outros Abrigos, revela a potência transformadora da periferia e a construção de futuros possíveis. Uma história sobre resistência, dignidade e a coragem de imaginar horizontes maiores que as desigualdades.