O outro em nós é o estranho

A câmera acompanha pés que parecem desejar caminhos próprios, surge em cena a imagem de um rosto estranho virado para uma cidade reluzente. O roteiro do filme Monster (2023) conduz o espectador a planos diferentes, em que cada personagem traz uma nova perspectiva.

EXISTE VIDA ALÉM DA NETFLIX: O INSTITUTO (2025), de Stephen King na MGM+, uma obra quase prima

Com direção precisa, adaptação sólida, elenco bem escalado, atuações marcantes, um jogo de câmeras inteligente e uma fotografia que beira o Oscar, O Instituto merecia ser uma série globalmente conhecida, lançada em uma plataforma mais acessível. Mas talvez — só talvez — o fato de estar em um streaming de nicho a transforme, um dia, em uma obra-prima esquecida no tempo. Daquelas que a gente redescobre por acaso e revive com entusiasmo, como tantas outras já ressurgiram.

A substância (2024)

A interpretação realista de uma história fantástica supôs a dicotomia entre duas gerações de mulheres, leitura como que imposta pelo filme. Se assim fosse, tudo se resolveria na fantasia interdita para a primeira e realizada pelo duplo. A confusão surge de uma tentativa legítima por um acerto.

APOCALIPSE NOS TRÓPICOS, DE PETRA COSTA (2024): O BRASIL QUE REZOU PELA PRÓPRIA MORTE

Se em Democracia em Vertigem Petra explorou o impeachment de Dilma, aqui ela vai além. Apocalipse nos Trópicos é seu filme mais perigoso porque expõe, sem metáforas, o que acontece quando religião e política se tornam armas. E, ao fazê-lo, Petra Costa não apenas conta uma história, mas toca em pontos espinhosos — ela acende um alerta. Resta saber se estamos dispostos a ver, ouvir e falar sobre isso.

“FAZER CINEMA NA QUEBRADA É CONSTRUIR PEQUENOS MUSEUS” – UMA ENTREVISTA COM QUEM FAZ DA PERIFA UM ESPAÇO AUDIOVISUAL

Com foco em produções independentes feitas nas periferias de São Paulo, onde cineastas brilhantes jogam suas lentes sobre as mais diversas narrativas, colocando a quebrada em seu devido lugar de protagonismo. […] O cineasta Lincoln Péricles, referência nessa nova onda do cinema, disse em uma entrevista que “Fazer Cinema na Quebrada é construir pequenos museus”. Essa frase reflete o objetivo e o compromisso da mostra em criar memórias e vivências a partir da potência criativa do cinema.