Especial Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema em Curitiba

FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA (2026) – UMA BOA VIAGEM

Nosso último texto da cobertura do Festival Internacional de Cinema em Curitiba, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha (2026), encerra esse nosso percurso de 2026 celebrando o vencedor do Prêmio Olhar de Melhor Filme na Competitiva Brasileira: um filme afetivo que transforma o delírio, a memória e a ausência em matéria de viagem, convidando o espectador a olhar para dentro antes de seguir adiante.

QUASE INVERNO (2026) – QUASE MELODRAMA

Quase Inverno (2026) transpõe o melodrama clássico para o interior do Paraná durante a ditadura militar, acompanhando o reencontro de três irmãs e um irmão em torno da iminente morte da mãe, acometida por demência. Quase inverno é um melodrama familiar sobre heranças malditas, traumas não ditos e o peso de uma história que insiste em não passar, mesmo quando o afeto tenta sobreviver.

ADULTO/HOMEM (2026) – FALHAMOS COM OS ATORES

Em Adulto/Homem (2026), acompanhamos, em um único plano-sequência, uma fila de audição para um papel nunca revelado. A câmera percorre rostos, silêncios, ensaios e confidências de atores que esperam por uma chance, enquanto expõem suas trajetórias, frustrações e a urgência de continuar existindo pela arte. Adulto/Homem transforma uma simples audição em um espelho doloroso da precarização da arte e da humanidade perdida no sistema que explora sonhos.

REPARAÇÃO (2026) – ENTERRADO VIVO E ENFERRUJADO

Entre fragmentos de memória, ferrugem e luto, Reparação constrói um retrato sensível da deterioração dos corpos, da cidade e dos afetos. Misturando autobiografia e ficção, o filme acompanha Marcus em seu enfrentamento com a perda dos pais, a herança simbólica da dor e a tentativa incessante de restaurar aquilo que o tempo, a maresia e a morte insistem em corroer. Em imagens em preto e branco, a obra transforma o desgaste em linguagem e a ruína em possibilidade de escuta.

A NOITE E OS DIAS DE MIGUEL BURNIER (2026) – MENTE VAZIA É OFICINA DA GERDAU

A Noite e os Dias de Miguel Burnier observa o cotidiano rarefeito de uma cidade mineira quase apagada pela mineração. Entre casas abandonadas, memórias fragmentadas e gestos mínimos de convivência, o documentário revela vidas suspensas num presente sem futuro, onde o capital ocupa o horizonte, substitui a fé e transforma a riqueza natural em ruína social.

A HOLANDESINHA (2026) – CINEMA É SONHO QUE SE SONHA JUNTO

A Holandesinha é um documentário em metalinguagem que acompanha o processo criativo e humano de Luiza Godoi na realização de seu curta-metragem. Entre pré-produção, gravações e decisões de set, o filme constrói um retrato íntimo do amadurecimento de uma jovem diretora, revelando o cinema como prática coletiva, espaço de afeto e exercício constante de adaptação, escuta e sonho compartilhado.

FUTURO FUTURO (2025) – A IA SONHA O ÚLTIMO SONHO DA HUMANIDADE

Vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília de 2025, o longa Futuro Futuro (2025) utiliza os códigos da ficção científica para construir uma crítica ao capitalismo contemporâneo, explorando um futuro em que a IA não apenas substitui o trabalho, mas passa a colonizar os sonhos, as memórias e as possibilidades de transformação social.

APENAS COISAS BOAS (2025) – O AMOR É UM ACIDENTE QUE NÃO SUPORTA A TUDO

O amor é como um acidente, é vigiado por curiosos e pessoas com más intenções. Amor é o que te prende aqui? “Aqui não tem nada pra você”. Ter. Amor que desliza a mão pela pele, pelo sexo e beija os pés. Acorda preocupado e olha para o horizonte, tem medo de ser abandonado e numa manta é abraçado.

CAIS (2025) – O TEMPO É TUDO, O TEMPO É

“O Tempo é o Senhor da existência”, declara um dos antigos, um dos personagens que ensina dúvidas à Safira Moreira sobre o que é a vida, a morte, o amor, o que foi, o que se é, e o que será. “Cais” (2025), segundo a própria diretora, após a sessão de exibição no 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, “gera mais perguntas que respostas”.

GLÓRIA & LIBERDADE (2025) – RESISTÊNCIAS E CONTRADIÇÕES

Pela primeira vez na história do Olhar de Cinema, uma animação disputa a Competitiva Brasileira. O longa “Glória & Liberdade” se passa no ano de 2050 e conta a viagem da documentarista Azul, que busca entender os processos de divisão de quatro nações do continente Pau-Brasil, todas na antiga região Nordeste e Norte do antigo país Brasil.