“FAZER CINEMA NA QUEBRADA É CONSTRUIR PEQUENOS MUSEUS” – UMA ENTREVISTA COM QUEM FAZ DA PERIFA UM ESPAÇO AUDIOVISUAL

Com foco em produções independentes feitas nas periferias de São Paulo, onde cineastas brilhantes jogam suas lentes sobre as mais diversas narrativas, colocando a quebrada em seu devido lugar de protagonismo. […] O cineasta Lincoln Péricles, referência nessa nova onda do cinema, disse em uma entrevista que “Fazer Cinema na Quebrada é construir pequenos museus”. Essa frase reflete o objetivo e o compromisso da mostra em criar memórias e vivências a partir da potência criativa do cinema.

FÚRIA PRIMITIVA (2004) – COMO DEV PATEL USOU A AÇÃO PARA FALAR DE OPRESSÃO E CULTURA

A cinematografia é cuidadosa dentro do possível, tem uma ótima fotografia que destaca a cidade e a ambientação, as coreografias são frenéticas e às vezes absurdas, mas estamos prontos para isso. O filme é forte também ao pinçar e misturar aspectos de diferentes cinemas sem causar estranheza no público ocidental, sabendo como usar o melhor de cada um. E ele se esforça também para falar sobre os dramas sociais e o poder opressor do governo […]

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

No primeiro longa-metragem colorido de Renoir, está imposto uma hiper plasticidade da imagem cinematográfica, que remete a um certo tom onírico, uma vez que há um forte encontro de cores potentes, claras e diferentes, uma sensação de tempo suspenso, uma narrativa que revela um homem que parece vir além do horizonte do rio, de lugar nenhum, que chega e muda a vida de todas as pessoas envolvidas.

CAIS (2025) – O TEMPO É TUDO, O TEMPO É

“O Tempo é o Senhor da existência”, declara um dos antigos, um dos personagens que ensina dúvidas à Safira Moreira sobre o que é a vida, a morte, o amor, o que foi, o que se é, e o que será. “Cais” (2025), segundo a própria diretora, após a sessão de exibição no 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, “gera mais perguntas que respostas”.

NOTAS SOBRE UM DESTERRO (2025) – FALE SOBRE A PALESTINA

“Fale sobre a Palestina”, foi a primeira frase que escutei de Gustavo Castro, diretor do documentário “Notas Sobre um Desterro” (2025), assim que cheguei na sessão durante o 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Sua fala, acima de qualquer mensagem, tinha como objetivo nos incentivar a espalhar que há quase 80 anos (no mínimo) o povo palestino é vítima de um Apartheid por parte de “Israel”.

SALOMÉ (2024) – A ETÉREORIZAÇÃO DO TESÃO

A reimaginação recifense de Salomé é uma realidade autóctone e universal brasileira. A mãe religiosa, as fofocas das senhoras da rua, os conflitos familiares, as relações e afetos construídos em uma vivência queer, noturna, diária. Os elementos e ambientes banais, aos quais somos lançados e identificados por nossas próprias experiências, são configurados como relíquias para contemplação, lenta e demorada. O culto ao tesão rotineiro é expresso com o maravilhamento do supérfluo, isso é estar com tesão.