Renan Dalago

Publicitário com segunda graduação em Letras - Português/espanhol e suas respectivas literaturas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Especialista em Comunicação, Semiótica e Linguagens Visuais e Psicologia Analítica Junguiana. Mestre em Poéticas da Modernidade. Doutorando em Comunicação e Cinema, pela Universidade Federal de Goiás, estudando o anti-herói como protagonista nas narrativas audiovisuais contemporâneas, bolsista pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). Amante da sétima arte, da psicanálise junguiana, seus arquétipos e, também, da semiótica. Roteirista, semioticista, escritor e professor. Mistura tudo isso para compreender o mundo, a sociedade, a comunicação, o cinema, a literatura e as inter-artes.

EMERGÊNCIA RADIOATIVA E A QUESTÃO FUNDAMENTAL: ATÉ QUANDO?

Universidade Estadual de Goiás e Instituto Federal de Goiás tem cursos superiores de Cinema, nenhuma dessas pessoas são creditadas na série. Goiás tem pelo menos 4 produtoras de cinema, nenhuma auxiliou ou produziu a série. Walter Salles é da família dona do Itaú, Mendonça Filho foi criado no exterior, 3% é criada por um Espanhol e Emergência Radioativa, série sobre o maior desastre radioativo do mundo, ocorrido em Goiânia, sem nenhum goiano na ficha técnica – é uma boa série para começar questionar até quando?

Um gay falando de um gay dentro de uma narrativa assassina: o dia que Ryan Murphy foi longe demais

Ryan Murphy foi longe demais. O queridinho de Hollywood, que já transformou o drama adolescente em hino gay e o terror em espetáculo pop, agora brinca perigosamente com os limites da representação — e do bom senso. Em sua nova empreitada, o mesmo criador que nos deu Glee e American Horror Story decide misturar a história de um assassino sádico com a de um ator gay reprimido, confundindo monstruosidade com sexualidade. O resultado? Um delírio audiovisual que beira o insulto — e revela o abismo entre genialidade e irresponsabilidade artística.

EXISTE VIDA ALÉM DA NETFLIX: O INSTITUTO (2025), de Stephen King na MGM+, uma obra quase prima

Com direção precisa, adaptação sólida, elenco bem escalado, atuações marcantes, um jogo de câmeras inteligente e uma fotografia que beira o Oscar, O Instituto merecia ser uma série globalmente conhecida, lançada em uma plataforma mais acessível. Mas talvez — só talvez — o fato de estar em um streaming de nicho a transforme, um dia, em uma obra-prima esquecida no tempo. Daquelas que a gente redescobre por acaso e revive com entusiasmo, como tantas outras já ressurgiram.

APOCALIPSE NOS TRÓPICOS, DE PETRA COSTA (2024): O BRASIL QUE REZOU PELA PRÓPRIA MORTE

Se em Democracia em Vertigem Petra explorou o impeachment de Dilma, aqui ela vai além. Apocalipse nos Trópicos é seu filme mais perigoso porque expõe, sem metáforas, o que acontece quando religião e política se tornam armas. E, ao fazê-lo, Petra Costa não apenas conta uma história, mas toca em pontos espinhosos — ela acende um alerta. Resta saber se estamos dispostos a ver, ouvir e falar sobre isso.

“FAZER CINEMA NA QUEBRADA É CONSTRUIR PEQUENOS MUSEUS” – UMA ENTREVISTA COM QUEM FAZ DA PERIFA UM ESPAÇO AUDIOVISUAL

Com foco em produções independentes feitas nas periferias de São Paulo, onde cineastas brilhantes jogam suas lentes sobre as mais diversas narrativas, colocando a quebrada em seu devido lugar de protagonismo. […] O cineasta Lincoln Péricles, referência nessa nova onda do cinema, disse em uma entrevista que “Fazer Cinema na Quebrada é construir pequenos museus”. Essa frase reflete o objetivo e o compromisso da mostra em criar memórias e vivências a partir da potência criativa do cinema.

Tem que ser muito “homem” para assistir HOMEM COM H

As cenas de palco são batalhas, não espetáculos; cada performance, um soco no estômago do conservadorismo. As cenas de foda e sexo no meio do filme demonstram não só a época da liberdade sexual, mas a sexualidade em si de Ney Matogrosso, exposto na tela, que se fosse em 3D, talvez, pulássemos lá para foder também.

“You”: O Espelho Sombrio da Sociedade Contemporânea

Se as narrativas contemporâneas refletem a evolução – e os desvios – da sociedade, You (2018-2024) surge como um thriller psicológico perturbadoramente catártico. A série, produzida pela Netflix e baseada nos livros de Caroline Kepnes, expõe com crueza as fissuras de nossa cultura, especialmente no que diz respeito ao amor, à obsessão e à violência romantizada.