A substância (2024)

A interpretação realista de uma história fantástica supôs a dicotomia entre duas gerações de mulheres, leitura como que imposta pelo filme. Se assim fosse, tudo se resolveria na fantasia interdita para a primeira e realizada pelo duplo. A confusão surge de uma tentativa legítima por um acerto.

APOCALIPSE NOS TRÓPICOS, DE PETRA COSTA (2024): O BRASIL QUE REZOU PELA PRÓPRIA MORTE

Se em Democracia em Vertigem Petra explorou o impeachment de Dilma, aqui ela vai além. Apocalipse nos Trópicos é seu filme mais perigoso porque expõe, sem metáforas, o que acontece quando religião e política se tornam armas. E, ao fazê-lo, Petra Costa não apenas conta uma história, mas toca em pontos espinhosos — ela acende um alerta. Resta saber se estamos dispostos a ver, ouvir e falar sobre isso.

“FAZER CINEMA NA QUEBRADA É CONSTRUIR PEQUENOS MUSEUS” – UMA ENTREVISTA COM QUEM FAZ DA PERIFA UM ESPAÇO AUDIOVISUAL

Com foco em produções independentes feitas nas periferias de São Paulo, onde cineastas brilhantes jogam suas lentes sobre as mais diversas narrativas, colocando a quebrada em seu devido lugar de protagonismo. […] O cineasta Lincoln Péricles, referência nessa nova onda do cinema, disse em uma entrevista que “Fazer Cinema na Quebrada é construir pequenos museus”. Essa frase reflete o objetivo e o compromisso da mostra em criar memórias e vivências a partir da potência criativa do cinema.

FÚRIA PRIMITIVA (2004) – COMO DEV PATEL USOU A AÇÃO PARA FALAR DE OPRESSÃO E CULTURA

A cinematografia é cuidadosa dentro do possível, tem uma ótima fotografia que destaca a cidade e a ambientação, as coreografias são frenéticas e às vezes absurdas, mas estamos prontos para isso. O filme é forte também ao pinçar e misturar aspectos de diferentes cinemas sem causar estranheza no público ocidental, sabendo como usar o melhor de cada um. E ele se esforça também para falar sobre os dramas sociais e o poder opressor do governo […]

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

No primeiro longa-metragem colorido de Renoir, está imposto uma hiper plasticidade da imagem cinematográfica, que remete a um certo tom onírico, uma vez que há um forte encontro de cores potentes, claras e diferentes, uma sensação de tempo suspenso, uma narrativa que revela um homem que parece vir além do horizonte do rio, de lugar nenhum, que chega e muda a vida de todas as pessoas envolvidas.

APENAS COISAS BOAS (2025) – O AMOR É UM ACIDENTE QUE NÃO SUPORTA A TUDO

O amor é como um acidente, é vigiado por curiosos e pessoas com más intenções. Amor é o que te prende aqui? “Aqui não tem nada pra você”. Ter. Amor que desliza a mão pela pele, pelo sexo e beija os pés. Acorda preocupado e olha para o horizonte, tem medo de ser abandonado e numa manta é abraçado.