CORPOS SANTOS: O CORPO SANTO É O CORPO PROFANO

 

O curta experimental Corpos Santos (2026) nos convida a uma reflexão profunda sobre a capacidade imanente do corpo humano ser divinamente profano, com os fluidos e experiências sendo desfragmentados até uma antifenomenologia, na qual o voyeur nos afasta e aproxima constantemente do biológico e metafísico. Desconstruindo a potência em potencialidades cada vez mais efêmeras e simbólicas.

O primeiro ato nos remete ao lúdico da orgia em manifestação em lugar-algum, enquanto o pensamento possessivo da religião e da Roma antiga nos conecta diretamente ao espaço colorido. Corpos são fragmentados, reconstruídos, isolados e ajuntados.

A segunda parte nos reconecta, literalmente, ao que é performance líquida nas relações (sem moralizar) e o que é se banhar na nudez livre. E, em um terceiro momento, somos vendados de olhos, e o que se vê é a oportunidade de fruir pela língua, toque, e a lembrança da culpa.

A grande homenagem à homofílica luta greco-romana em um espaço universalmente localizado em alguma cidade pequena do Brasil é unificada pela sensação do que é poder sentir tesão e construir em desconforto como uma relação corpo-identidade. Os vários trechos que nos lembram uma montagem de um álbum visual, como uma sequência de videoclipes que nos apontam para direções de passado-presente-futuro-dentro-fora-dentro-fora-gozo.

Algo relevante é o corpo olhado. Em várias sequências, somos convidados a esquecer e reconstruir a visão do corpo, como ele foi olhado, explorado (sexual e comercialmente em diversos âmbitos), como uma lembrança de que a memória da sociedade é uma grande hipocrisia. Para compensar, vemos o escondido a céu aberto. Céu aberto que nos lembra que um deus olha o corpo santo ser penetrado e reprimido, o masoquismo como predatório desejo de ser oprimido. A religião do filho que tornou o absoluto finito e tornou infinito as possibilidades do corpo, inclusive desviver e desmorrer.

O corpo que pode sentir prazer e cujo ato mais Santo é o de ser profanado. Mas também é limpo, sacralizado pela pureza de se permitir ser machucado, tocado, penetrado e lavado: para novamente se erguer para celebrar a vida. Como uma ressaca pós-rolê e foda boa, as diversas referências aos movimentos, festividades e celebrações da liberdade do que o corpo é e pode ser são levadas ao inconsciente, no mundo dos sonhos, onde a culpa pode ser espantada com o acender de uma vela.

Como resultado, somos felizes, em algum lugar, e não aproveitamos isso.

FICHA TÉCNICA DE CORPOS SANTOS

.DIREÇÃO: Hítallo Torquato e Amanda Rosa
.DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: O. Juliano Gomez
.DIREÇÃO DE ARTE: Amanda Rosa e Hítallo Torquato
.ROTEIRO DE: Hítallo Torquato

.ELENCO:
Wânio Kamenach
Helena Caetana
Sol Dourado
Letícia Lemes
Milla Suzart
Paulo Vitor Ferreira
James Hollanda
beta(m)xreis
Ana Emília
Sidi Leite
Camila de Paula
Aline Estrozi
Danilo Chaves
Marcos Vinícius de Souza
Gabriel Paulo
Odilon Moreira
Lister Araujo
Matheus Aragão
Eduardo Marinho
Stella de Eros
AZÆLIZ / Zæ
Ula Conrado
Hemilly Michelle
Ana Flor
Vitiane

EQUIPE TÉCNICA E DEMAIS PESSOAS ENVOLVIDAS:
Produção: Hítallo Torquato e Amanda Rosa
Empresa Produtora: Sentido Oeste Filmes
Consultoria Criativa: Rafael de Almeida
Direção de Produção e Produção Executiva: Barbara Valerim
Assistência de Produção: Gabriel Sestoli e Meirilinda
Produção de Set: Vitiane
Catering: Josi Monteiro
Assistência de Catering: Eduardo Macedo e Meirilinda
Direção e Coordenação de Elenco: Lorrana Flores
Coordenação de Transporte: Rildo Ferreira
Motorista: Marcos Gonçalves
Apoio Logístico: Sidi Leite e Emmerson Kran
1ª Assistência de Direção: Thomas Toledo
2ª Assistência de Direção: Ale Gama e Ingrid Cardoso
Continuidade: Marc Oliveira
Coreografia: Carol Martins
1ª Assistência de Câmera: Caju Bento
2ª Assistência de Câmera: Ester Noleto e Stéfanny Rocha
Gerenciamento de Mídia Audiovisual: Stéfanny Rocha
Fotografia Still: Andy Wolf
Making Of: Gustavo Marques
Maquinaria: Clara Idioriê, DAFB
Assistência de Maquinaria: Ravi Dourado e Paloma Tavares
Gaffer: Esther Alves
1ª Assistência de Elétrica: Zé Espanha
Assistência de Arte: Carol Huneb, Yare Sobreira, Samira Silva Martins, Adriano Nunes e Sara Cristina Rosa
Figurino: Jessika Hannder
Assistência de Figurino: Marcos Vinícius de Souza e Amanda Rosa
Adereços: Amanda Rosa e Carol Huneb
Acervo de Figurino: Lucas Caslú
Maquiagem e Caracterização: Isabela Florentino
Assistência de Maquiagem: Lorena Minelli, Vanessa Guimarães, Samira Silva Martins e Izadora Melo
Direção de Som: Mikaela E. Pasa
Microfonista: Yuri Fagundes
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Geórgia Cynara
Edição e Color Grading: Paulo Balduino
Edição e Mixagem de Som: Mikaela Pasa
Legendas: O. Juliano Gomez
Design Gráfico: Isabela Florentino

.DURAÇÃO DO FILME: 22:00

Autor

  • Victor Finkler Lachowski

    Doutorando em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná (PPGCOM-UFPR), vinculado à linha de pesquisa Comunicação e Cultura; Mestre em Comunicação (PPGCOM-UFPR); Bacharel em Publicidade Propaganda (UFPR). Integrante do NEFICS - Núcleo de Estudos de Ficção Seriada e Audiovisualidades (UFPR/PPGCOM-UFPR/CNPq). Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE). Bolsista CAPES-DS. Escritor, Roteirista e Redator. Autor da coletânea de contos "O Insosso e o Insólito entre os Pinheirais". Escritor da Revista Película (ISSN: 3085-6183). Pesquisador nas áreas de: Comunicação; Cinema; Cultura; Narrativas Audiovisuais; Narrativas Midiáticas e Comunicação Política.

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