O IMPACTO DAS VIRGENS SUICIDAS NA VIDA DAS JOVENS
O filme “Virgens Suicidas”, lançado em 1999, aborda a perspectiva de quatro garotos, que acompanham a vida das irmãs Lisbon em meados da década de 70. Com o olhar curioso, eles passam a observar cada detalhe da vida de cada uma das irmãs e tentam entender o porquê do desfecho tão repentino e trágico da vida de cada uma.
A história, apesar de ser um tanto quanto traumática para o telespectador, traz uma crítica e uma reflexão para garotas na fase da adolescência que buscam sempre pelo caminho da felicidade, mas pelas adversidades da puberdade acabam sempre em um labirinto de melancolia e sofrimento.
No filme, é possível observar diversas cenas um tanto quanto reflexivas, onde podemos sentir o sentimento de dor, solidão e o vazio em que as irmãs vivem. Nesse sentido, uma cena que é muito comentada até os dias atuais, para muitos que gostam que filmes deste eixo, é o quadro do primeiro ato de Cecília contra sua própria vida, no qual a garota carrega a imagem de uma pessoa em seu momento mais nu e cru de sua vida, onde o arrependimento se faz presente e onde nem os mais próximos conseguiam entender o porquê naquilo.

Cecília, embora seja muito nova para esse tipo de estado de alma, consegue trazer um certo estudo para meninas jovens como ela, mas que já carregam o peso do mundo em suas costas e que em diversas fases da vida podem vivenciar o completo estranho vácuo da existência humana.
Depois do desfecho fatídico da irmã mais nova, a vida das meninas se encontra em um período de luto pela perda, mas também de crescimento. Elas se encontram no tempo em que, mesmo que a dor machuque, não há possibilidade de deixar de viver por isso, então, apesar da situação devastadora, as garotas continuam com sua rotina pacata.
O que, de maneira cruel, acabou por um gesto de felicidade temporária, mas lembranças incuráveis e insensíveis guiadas por Lux e Trip. Com o decorrer da história, a única maneira de evitar o catastrófico, de acordo com o Sr. Lisbon e a Sra. Lisbon é acabar com a privacidade e a liberdade. Diante desse feito, o ambiente de solidão e de dor se corrói na alma das irmãs e o inevitável acontece.
Mas, mesmo diante da narrativa do filme, surgem os questionamentos do porquê. O porquê da prisão sem necessidade dos pais, do porquê de a Senhora Lisbon não interferir na decisão do marido e depois ser obrigada a viver com a perda de suas amáveis filhas, do porquê ninguém se quer percebeu a dor da garota mais nova, do porquê mesmo perante os acontecimentos, as irmãs não tiveram forças para enfrentar e seguir em frente, do porquê toda essa descrição foi feita pelo olhar cauteloso de meninos.
Entre tantas outras perguntas que seguem sendo contestadas, chegamos a uma conclusão, a qual essa vivência só mostra o quanto a sociedade se encontra em um cenário em que a angústia feminina é uma demonstração agradável aos olhos masculinos que a experiência dolorosa de ser uma mulher em um mundo dominado pelo pensamento que a aflição feminina em qualquer fase da vida não passa de uma tolice para os que enxergam de maneira errada.
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Estudante de Jornalismo (Uninter); atuo na área por meio da produção de artigos de caráter acadêmico. Tema a trajetória marcada pelo interesse em investigar e comunicar ideias de forma clara e fundamentada. O maior prazer nas horas livres está em escrever sobre arte, literatura e cinema, campos que permitem explorar a sensibilidade estética e refletir sobre o impacto cultural das narrativas visuais e escritas.
