EXISTE VIDA ALÉM DA NETFLIX: O INSTITUTO (2025), de Stephen King na MGM+, uma obra quase prima

EXISTE VIDA ALÉM DA NETFLIX: O INSTITUTO (2025), DE STEPHEN KING, UMA OBRA QUASE PRIMA

Jack Bender. É por esse nome que começamos — e, para quem ainda não o conhece, ele é o diretor por trás de obras como Lost (2004–2010), The Sopranos (1999–2007), Game of Thrones (2011–2019), From (2022), entre tantas outras produções que assina desde 1997. Sua mais recente empreitada é O Instituto, adaptação do livro homônimo de Stephen King, publicado em 2019.

Com nota 6,7 no IMDb e 71% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, a série talvez peque apenas por um detalhe: é uma produção original da MGM+. Apesar de ser uma das maiores produtoras do mundo, a plataforma de streaming ainda não tem o mesmo alcance de gigantes como Netflix ou HBO, o que acaba deixando a série meio escondida — longe dos olhos de um público que, com certeza, poderia amá-la.

Sabe aquele “Curti” ou “Séries semelhantes” que aparece no fim de cada episódio? Pois bem, O Instituto poderia facilmente figurar nessa lista ao lado de Stranger Things, Lost, Under the Dome, Dark, The OA, The End of the F**ing World*, Carrie ou até Senhor das Moscas. Não se iguala, mas dialoga com todos eles.

A premissa parece simples: crianças são raptadas durante a noite e levadas a um lugar chamado “O Instituto” — um complexo do qual não podem sair, onde são forçadas a seguir regras sob ameaça de punição. Lá, descobrem ter habilidades especiais que, com a ajuda de testes, são amplificadas sob a promessa de que estão “ajudando o mundo”. E, quando tudo acabar, poderão voltar para casa. No centro disso tudo está Luke Ellis, um adolescente de 14 anos, com QI altíssimo e habilidades excepcionais.

Mas o enredo vai muito além dessa sinopse. Bender faz um movimento narrativo interessante ao escalar para o protagonismo Joe Freeman — um jovem ator britânico de 17 anos, praticamente desconhecido. E é justamente isso que aproxima o público da história: por não sabermos quem ele é – desconhecido como os atores de Stranger Things ou Harry Potter (embora pareça uma comparação incomparável), é fato que nos afeiçoamos, torcemos e nos projetamos muito mais nesses personagens/atores que nunca vimos antes.

Lançada em julho de 2025, O Instituto terá 8 episódios, lançados semanalmente na MGM+. A série combina ficção científica, teoria da conspiração, crianças e adolescentes enfrentando adultos e um sistema político opressor, personagens complexos (daqueles que a gente ama amar), drama, ação e suspense.

Diferente de outras adaptações de Stephen King, aqui ele não dá as cartas: não é produtor executivo nem consultor criativo da obra. Ele é apenas o autor do livro que deu origem à série — o que talvez ajude O Instituto a alcançar uma autonomia criativa que beira o brilhantismo. Há diferenças entre o livro e a adaptação? Sim, e elas são necessárias para a narrativa funcionar como série.

Até o momento (03 de agosto de 2025), quatro episódios já estão disponíveis. E o que se pode dizer é: a série tira o fôlego. Ela prende, atrai, fisga. Faz a gente querer sempre mais — e torcer por cada um dos personagens, principalmente pelos adolescentes ferrados que, de alguma forma, nos representam. O efeito é catártico.

Com direção precisa, adaptação sólida, elenco bem escalado, atuações marcantes, um jogo de câmeras inteligente e uma fotografia que beira o Oscar, O Instituto merecia ser uma série globalmente conhecida, lançada em uma plataforma mais acessível. Mas talvez — só talvez — o fato de estar em um streaming de nicho a transforme, um dia, em uma obra-prima esquecida no tempo. Daquelas que a gente redescobre por acaso e revive com entusiasmo, como tantas outras já ressurgiram.

O Instituto está disponível na MGM+, terá 8 episódios e, logo abaixo, você pode conferir o trailer dublado — porque, por aqui, a gente fala português.

Autor

  • Renan Dalago

    Publicitário com segunda graduação em Letras - Português/espanhol e suas respectivas literaturas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Especialista em Comunicação, Semiótica e Linguagens Visuais e Psicologia Analítica Junguiana. Mestre em Poéticas da Modernidade. Doutorando em Comunicação, na linha de pesquisa Mídia e Cultura, pela Universidade Federal de Goiás, bolsista pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). Amante da sétima arte, da psicanálise junguiana, seus arquétipos e, também, da semiótica. Mistura tudo isso para compreender o mundo, a sociedade, a comunicação, o cinema, a literatura e as inter-artes.

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