O AGENTE SECRETO: RESISTÊNCIA & MEMÓRIA
Sobre esse texto, tudo que temos a dizer é que, quando um jovem de 17 anos escreve uma crítica tão sensacional, você deve parar para ler!
Sobre esse texto, tudo que temos a dizer é que, quando um jovem de 17 anos escreve uma crítica tão sensacional, você deve parar para ler!
Entre acertos e tropeços nas adaptações de Stephen King, It: A Coisa se destaca ao transformar o horror em uma metáfora sobre trauma, amizade e amadurecimento. Mais do que Pennywise, o filme revela medos humanos profundos e a força do Clube dos Perdedores.
O Mundo Depois de Nós (2023) usa um cenário apocalíptico para provocar reflexões sobre racismo, política e, principalmente, a dependência da tecnologia. Mais do que o fim do mundo, o filme questiona como reagimos quando comunicação, conforto e entretenimento deixam de existir.
Em Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera, Kim Ki-duk conduz o espectador por uma jornada espiritual marcada por culpa, desejo, perda e renascimento. A cada estação, acompanhamos a formação de um aprendiz em um monastério budista isolado, onde cada gesto se transforma em lição. O texto completo aprofunda essas simbologias e revela como o ciclo da vida se espelha no ciclo da natureza.
O aguardado Frankenstein de Guillermo del Toro impressiona visualmente, mas falha em essência: ao ignorar a crítica social e moral de Mary Shelley, o filme transforma uma obra revolucionária sobre preconceito e responsabilidade em um drama superficial, belo, porém vazio.
Se você pensa que já viu todas as combinações possíveis de religião e terror psicológico, Saint Maud (2019), estreia de Rose Glass, prova que a mente humana ainda guarda mistérios capazes de perturbar e fascinar. Mergulhando na psique de Maud, uma jovem enfermeira obcecada por salvar a alma de sua paciente Amanda, o filme explora solidão, fanatismo e decadência mental com uma estética cuidadosa e uma tensão crescente que vai muito além do susto fácil. Entre sombras, orações e delírios, Glass cria um suspense que desafia nossa percepção da fé e da moral, oferecendo uma experiência visual e sonora que incomoda e hipnotiza.
Ryan Murphy foi longe demais. O queridinho de Hollywood, que já transformou o drama adolescente em hino gay e o terror em espetáculo pop, agora brinca perigosamente com os limites da representação — e do bom senso. Em sua nova empreitada, o mesmo criador que nos deu Glee e American Horror Story decide misturar a história de um assassino sádico com a de um ator gay reprimido, confundindo monstruosidade com sexualidade. O resultado? Um delírio audiovisual que beira o insulto — e revela o abismo entre genialidade e irresponsabilidade artística.
O filme Sick of Myself (Doente de Mim Mesma), do norueguês Kristoffer Borgli, transforma a obsessão por visibilidade em uma sátira ácida sobre o narcisismo contemporâneo. Misturando comédia, drama e terror, o longa escancara até onde alguém pode ir para ser visto — e como o culto à imagem, nas redes e fora delas, pode se tornar uma forma silenciosa de adoecimento.
O Clacso Cine – Festival de Artes y Cultura Audiovisual 2025, realizado durante a X Conferência Latino-americana e Caribenha de Ciências Sociais em Bogotá, apresentou filmes que dialogam com memória, identidade, resistência e democracia na América Latina. A mostra reuniu documentários que abordam lutas de povos indígenas, trabalhadoras domésticas, comunidades periféricas e vítimas de ditaduras. O festival reafirmou o papel do cinema como ferramenta crítica e de produção de conhecimento social e cultural.
Em “Faça Ela Voltar” (2025), o luto não é apenas uma dor a ser superada, mas um processo a ser controlado. Através da magia e da ritualização da perda, o filme expõe a mesquinharia moral por trás do desejo de possuir até mesmo os que já se foram. Uma crítica ácida à ilusão de domar a morte.